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A luz que quase ninguém vê

A pessoa que ensinou a arquitetura a usar a luz

Pense num momento simples.

Entra num restaurante e o ambiente parece imediatamente confortável.
Num museu, o seu olhar é guiado naturalmente para uma obra específica.
Num hotel, o espaço parece elegante, calmo, quase cinematográfico.

A maior parte das pessoas atribui isso à arquitetura ou ao design.

Mas muitas vezes existe outro elemento silencioso a fazer esse trabalho.

A luz.

Curiosamente, durante grande parte da história da arquitetura, a iluminação artificial era tratada apenas como uma necessidade técnica. Servia para afastar a escuridão e permitir que as pessoas vissem o que estavam a fazer.

Nada mais.

Não existia a ideia de que a luz podia criar emoção, orientar o olhar ou alterar completamente a perceção de um espaço.

Até que alguém começou a olhar para a luz de uma forma diferente.

O momento em que alguém percebeu o poder da luz

Na década de 1930, um jovem designer norte-americano começou a fazer uma pergunta que ninguém parecia estar a fazer:

E se a luz pudesse fazer muito mais do que simplesmente iluminar?

O seu nome era Richard Kelly.

Na época, a iluminação estava quase totalmente nas mãos de engenheiros. Falava-se de potência, eficiência e níveis de iluminação, mas raramente de atmosfera ou experiência.

Kelly via algo diferente.

Via a luz como uma ferramenta capaz de revelar arquitetura, orientar pessoas e transformar a forma como um espaço é vivido.

Em 1935 abriu o seu próprio estúdio em Nova Iorque e começou a colaborar com alguns dos arquitetos mais influentes do modernismo, como Mies van der Rohe, Philip Johnson e Louis Kahn.

Essas colaborações colocaram-no no centro de alguns dos edifícios mais emblemáticos do século XX.

Mas o mais importante não foram apenas os projetos.

Foi a forma como ele começou a pensar a luz.

A ideia simples que mudou tudo

Richard Kelly percebeu algo fundamental:
nem toda a luz tem de fazer a mesma coisa.

Para explicar isso, criou três conceitos que ainda hoje são a base de muitos projetos de iluminação.

Ambient luminescence
A luz ambiente que permite perceber o espaço como um todo e cria uma base confortável de iluminação.

Focal glow
A luz que destaca algo específico — uma obra de arte, uma mesa, uma escada ou um elemento arquitetónico — guiando naturalmente a atenção.

Play of brilliants
Os brilhos, reflexos e pontos luminosos que introduzem dinamismo e emoção no ambiente.

Hoje parece uma ideia evidente.

Mas na altura foi revolucionária.

Kelly estava, essencialmente, a dizer que a iluminação não devia ser uniforme e neutra. A luz podia ter diferentes papéis dentro de um espaço.

Podia contar uma história.

Quando a luz passou a fazer parte da arquitetura

Essas ideias tornaram-se visíveis em alguns dos edifícios mais marcantes da arquitetura moderna.

No Seagram Building, em Nova Iorque, a iluminação ajudava a reforçar a elegância e a clareza da arquitetura.

 

Seagram Building

Na Glass House, de Philip Johnson, Kelly utilizou a luz artificial para prolongar a transparência da casa durante a noite, criando continuidade entre o interior e a paisagem exterior.

Glass House

E no Kimbell Art Museum, projetado por Louis Kahn, explorou de forma magistral a relação entre luz natural e artificial, criando uma experiência quase poética para quem visita o museu.

Kimbell Art Museum

Nestes projetos, a luz deixou definitivamente de ser um detalhe técnico.

Passou a ser parte integrante da arquitetura.

A herança invisível que continua hoje

Hoje, quando entramos num museu onde a luz nos guia discretamente de obra em obra, num restaurante onde o ambiente parece perfeito ou num edifício onde a arquitetura ganha profundidade e ritmo, estamos muitas vezes a ver ideias que nasceram com Richard Kelly.

O impacto do seu trabalho foi tão grande que a Illuminating Engineering Society criou o Richard Kelly Grant, um programa que apoia novas gerações de designers de iluminação.

Mas talvez o mais curioso seja isto:

A maioria das pessoas continua sem saber quem foi Richard Kelly.

E, de certa forma, isso faz sentido.

Porque quando a iluminação é bem pensada, quase nunca chama a atenção para si própria.

Ela simplesmente transforma a forma como vemos o espaço.

A luz como linguagem

Hoje, arquitetos e designers sabem que a iluminação pode orientar percursos, destacar elementos, criar atmosfera e valorizar a própria arquitetura.

A luz deixou de ser apenas funcional.

Passou a ser uma linguagem invisível que molda a forma como experienciamos os espaços.

E muito dessa forma de pensar começou com Richard Kelly.

Talvez por isso, sempre que entramos num espaço e sentimos que tudo simplesmente funciona — sem perceber bem porquê — há uma boa hipótese de que, de alguma forma, a sua influência ainda esteja presente.
 

Na Tromilux acreditamos exatamente nisso:
que a iluminação não serve apenas para iluminar.

Serve para valorizar a arquitetura, orientar os espaços e melhorar a forma como as pessoas os vivem.

Porque, tal como Richard Kelly mostrou há quase um século, a luz pode fazer muito mais do que apenas afastar a escuridão.